A demografia está em rota de colisão com a economia política do Estado neoliberal, que tende a adotar políticas de austeridade e cortes nas áreas sociais — saúde, assistência e BPC. Com o envelhecimento populacional em um país marcado por profunda desigualdade social, declínio da estrutura familiar e colapso do cuidado, o resultado é trágico. É o que podemos chamar de “privatização do sofrimento” ou “ crise de exaustão social”. É isso que estamos vendo no Brasil neoliberal —
Analisamos nesta série de postagens a profunda transformação da estrutura familiar brasileira nas últimas décadas, destacando que a redução do tamanho das famílias e o crescimento de uma geração sem filhos não podem ser compreendidos como simples escolhas individuais nem como meras mudanças de valores culturais. Trata-se, antes, de um fenômeno estrutural, diretamente vinculado à crise da reprodução social sob o capitalismo neoliberal — crise que se expressa de modo particul
O colapso do cuidado no Brasil da era neoliberal é o resultado direto de uma transformação demográfica profunda, marcada pela transição das famílias numerosas e multigeracionais para arranjos reduzidos e domicílios unipessoais. Historicamente, o suporte aos idosos baseava-se em uma "rede de segurança feminina" invisível, onde filhas e sobrinhas, fora do mercado de trabalho formal, garantiam a vigilância e o cuidado doméstico. Na era neoliberal, esse modelo entrou em colapso: