Na postagem anterior realizamos uma investigação filológica e teórico-crítica do termo alemão Sehnsucht , articulando sua evolução semântica com a “Ontologia do Ser Social” e os “Prolegômenos para uma Ontologia do Ser Social” de György Lukács. Em primeiro lugar, nossa primeira postagem demonstrou que Sehnsucht é um “conceito” de grande densidade semântica, formado pela articulação entre sehnen (ansiar, tender para algo ausente) e Sucht (busca compulsiva, dependência). Não
“A nostalgia [ Sehnsucht ] da humanidade por uma vida já não dominada pelo estranhamento, portanto, segundo uma generidade que não traz à vida nenhum estranhamento , que atribui ao indivíduo humano tarefas que podem conduzir a uma vida – também pessoal – capaz de trazer verdadeira e duradoura satisfação , permanece inarredável do pensamento e da emoção dos seres humanos.” Gyorgy Lukács, Prolegômenos para uma Ontologia do Ser Social, Boitempo editorial, p. 261 [o grifo é nosso
O conjunto de argumentos desenvolvidos no artigo anterior intitulado “O declínio da família no Brasil” permite estabelecer um diagnóstico estrutural: as transformações recentes da família brasileira não podem ser compreendidas como fenômenos culturais, escolhas individuais ou simples pluralização de arranjos afetivos. Elas expressam uma ruptura histórico-civilizacional nas condições de reprodução social, vinculada à consolidação do capitalismo neoliberal no Brasil a partir da