O conjunto de argumentos desenvolvidos no artigo anterior intitulado “O declínio da família no Brasil” permite estabelecer um diagnóstico estrutural: as transformações recentes da família brasileira não podem ser compreendidas como fenômenos culturais, escolhas individuais ou simples pluralização de arranjos afetivos. Elas expressam uma ruptura histórico-civilizacional nas condições de reprodução social, vinculada à consolidação do capitalismo neoliberal no Brasil a partir da
A partir da década de 1990, as transformações na estrutura familiar ocorridas na era neoliberal não podem ser compreendidas como simples mudanças de costumes, escolhas privadas ou rearranjos afetivos. Elas devem ser situadas no interior de uma ruptura histórica nas condições de reprodução social do capitalismo global. O que se observa, sobretudo nos últimos trinta anos, é o aprofundamento do declínio estrutural do Ocidente. Como argumenta Emmanuel Todd em Le Défi de l’Occiden