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Os Titãs do Capital - Parte 2

11 de set.
12 min de leitura



A era dos Titãs do Capital é a forma histórica assumida pela dominância do capital financeiro nas condições históricas da crise estrutural do capital. Seu núcleo orgânico é o capital fictício: a capitalização de rendimentos futuros por meio da qual o valor, confrontado com seus próprios limites, procura antecipar, deslocar e recompor as condições de sua valorização.


O conceito de capital financeiro em François Chesnais difere - por exemplo - daquele estabelecido por Rudolf Hilferding no início do século XX. Para Hilferding, o capital financeiro resultava principalmente da fusão entre capital bancário e capital industrial, sob a hegemonia dos grandes bancos, que passavam a controlar a indústria por meio do crédito, da participação acionária e dos grupos monopolistas. A categoria exprimia uma etapa do desenvolvimento capitalista marcada pela concentração bancária e industrial, pela constituição de cartéis e pela exportação de capitais.


François Chesnais não abandona inteiramente essa problemática, mas desloca seu centro. Na mundialização financeira constituída a partir das últimas décadas do século XX, a dominação já não pode ser explicada apenas pela fusão entre bancos e indústrias. O protagonismo passa a pertencer a instituições que centralizam massas gigantescas de dinheiro e de direitos patrimoniais: fundos de investimento, fundos de pensão, companhias de seguros, fundos soberanos, bancos de investimento, fundos de cobertura e grandes gestoras de ativos. Essas instituições não precisam administrar diretamente o processo produtivo para comandá-lo. Exercem seu poder como proprietárias de títulos, ações, obrigações e diferentes formas de direitos sobre rendimentos futuros. Sua exterioridade aparente em relação à produção não elimina seu domínio sobre ela; ao contrário, permite que imponham às empresas produtivas critérios estritos de rentabilidade financeira, distribuição de dividendos, recompra de ações, redução de custos e reestruturação permanente do trabalho.


O capital financeiro, na acepção de Chesnais, pode ser compreendido como a forma concentrada e organizada do capital-dinheiro portador de juros que, centralizado por instituições financeiras e investidores institucionais, reivindica para si uma parcela crescente do mais-valor social. 


Ele se apresenta como propriedade patrimonial, isto é, como riqueza que confere a seus detentores o direito de receber rendimentos sem que precisem participar diretamente da organização da produção. Essa autonomia é apenas relativa. Juros, dividendos e ganhos financeiros precisam, em última instância, encontrar correspondência na riqueza extraída do trabalho e apropriada na produção, ainda que a multiplicação dos títulos possa afastar-se enormemente dessa base.


Convém, portanto, não identificar de maneira imediata capital portador de juros,  capital financeiro e capital fictício. Vejamos as diferenças:


Capital portador de juros é o capital monetário cedido temporariamente a outro agente, mediante a obrigação de restituição e o pagamento de juros, forma pela qual seu proprietário se apropria de uma parcela do mais-valor ou da renda social sem participar diretamente de sua produção. Em sua expressão fetichizada, aparece como se o dinheiro produzisse dinheiro por si mesmo: D - D'


O capital fictício, por sua vez, designa uma forma específica de existência da riqueza capitalista, constituída pela capitalização de rendimentos esperados. A ação, o título da dívida pública, a obrigação privada ou o derivativo representam direitos presentes sobre fluxos futuros de renda. Esses papéis podem ser comprados e vendidos como se fossem capital autônomo, adquirir um preço próprio e valorizar-se nos mercados, embora não correspondam diretamente a um capital produtivo adicional.


O capital portador de juros constitui a relação fundamental; o capital fictício surge quando o direito a rendimentos futuros é capitalizado e passa a circular autonomamente como ativo.


O capital financeiro designa uma fração organizada do capital e uma estrutura de poder: concentra propriedade monetária, centraliza direitos sobre empresas e submete o conjunto da reprodução social às exigências dos investidores.





Portanto, a relação entre estas categorias é íntima.


O capital financeiro concentra, administra e negocia as formas do capital fictício; o capital fictício, por sua vez, fornece a matéria específica por meio da qual o capital financeiro amplia seu poder.


As grandes instituições financeiras transformam dívidas, ações, promessas de pagamento e expectativas de lucratividade em patrimônios negociáveis. Reúnem-nos em carteiras, criam instrumentos derivados, produzem escalas de risco e estabelecem valores presentes para rendimentos futuros.


A propriedade financeira passa então a exercer comando sobre a produção não porque esteja fundida administrativamente a cada empresa, mas porque a empresa, o Estado e as famílias precisam corresponder às expectativas de valorização inscritas nos títulos.

Por conseguinte, a financeirização designa o processo histórico mediante o qual essa lógica se torna dominante. Não equivale ao simples crescimento quantitativo dos bancos nem à expansão isolada das operações especulativas. Trata-se da reorganização da reprodução capitalista sob o comando de proprietários financeiros capazes de impor seus critérios às empresas, aos Estados e aos indivíduos.


A governança corporativa orientada pelo “valor para o acionista”, a austeridade fiscal, a privatização dos sistemas previdenciários, o endividamento das famílias, a mercantilização dos serviços públicos e a transformação de direitos sociais em ativos compõem diferentes momentos do mesmo movimento.


O poder do capital financeiro – que se materializa politicamente no Estado neoliberal - não repousa apenas na posse do dinheiro. Ele deriva da capacidade de disciplinar o presente mediante direitos constituídos sobre o futuro.


Uma empresa endividada reorganiza o trabalho atual para assegurar o pagamento de obrigações futuras; o Estado neoliberal corta despesas sociais para preservar a confiança dos detentores de títulos; uma família submete décadas de renda ao financiamento da moradia; estudantes hipotecam salários que ainda não receberam para custear sua formação; fundos de pensão exigem rentabilidade crescente para cumprir compromissos projetados. O futuro antecipado retorna como coerção presente.


Por que o capital financeiro adquiriu o poder social que tem hoje?


Por conta da tendencia à queda da taxa de lucro, da desmedida de valor e da superacumulação de capital. Eis as causalidades estruturais imanente à crise da forma-valor.


A crise da forma-valor - exacerbada pela Terceira Revolução Industrial a partir da década de 1980 - nasce das barreiras que o desenvolvimento das forças produtivas ergue diante da valorização. Ela faz com que se constitua –  por meio de mediação política da luta de classes – a formação de compromisso neoliberal e por conseguinte, a formação do Estado neoliberal, o Estado político da oligarquia financeira,  que representa – no caso do Ocidente – o capital fictício como antivalor, determinação imanente e contraditória da própria forma que opera como tentativa de suspender, deslocar ou administrar essas barreiras à crise de valorização do capital.


Portanto, diferentemente das interpretações que explicam a expansão do capital fictício, a financeirização e o protagonismo do capital financeiro sobretudo pelo salto da produtividade do trabalho decorrente da Terceira Revolução Industrial, pelo aumento da composição orgânica do capital e pela consequente crise de valorização, destacamos a mediação decisiva da política.


A dominância financeira não resultou automaticamente do desenvolvimento das forças produtivas nem pode ser deduzida de maneira imediata das contradições econômicas do capital. Sua constituição histórica exigiu uma formação de compromisso neoliberal, por meio da qual o Estado, o sistema financeiro e as grandes corporações reorganizaram institucionalmente as condições da acumulação. Essa formação de compromisso favoreceu a expansão do capital fictício como uma das principais formas assumidas pelo antivalor, permitindo contornar provisoriamente as barreiras à valorização produzidas pela crise da medida do valor.


Em seu instigante artigo “Depósito de lixo do poder do capital financeiro”, Ernst Lohoff e Norbert Trenkle oferecem uma contribuição relevante à compreensão do capital fictício, mas não conferem a devida centralidade às mediações políticas que tornaram possível a constituição histórica do poder financeiro.


Tampouco mobilizam as categorias de desmedida do valor, interversão e antivalor, indispensáveis, a nosso ver, para compreender não apenas a gênese, mas também a função sistêmica dessa nova configuração do poder do capital.


A categoria de desmedida do valor possui, nesse sentido, uma capacidade explicativa tão importante quanto a de capital fictício.


Enquanto esta permite compreender a antecipação e a capitalização de rendimentos futuros, aquela expõe uma contradição mais profunda: a riqueza material cresce, impulsionada pelo desenvolvimento das forças produtivas, ao mesmo tempo que entra em crise sua mensuração pela forma abstrata do valor.


A desmedida de valor não significa o desaparecimento do valor, mas a crescente inadequação entre a expansão das capacidades materiais da produção e a redução do trabalho vivo que constitui a substância da valorização.


É no interior da crise da medida que emerge o antivalor. Este nega ou suspende momentaneamente algumas das determinações imediatas da valorização sem abolir a forma-capital. Sob a dominância financeira, porém, ocorre uma interversão decisiva: a negação do valor é apropriada pelo capital e convertida em mediação de sua própria reprodução. Mediante o crédito, a dívida pública, a criação monetária, o gasto estatal e o capital fictício, antecipa-se valor futuro, sustenta-se a demanda e preservam-se capitais que, de outro modo, seriam desvalorizados. A crise da medida não desaparece. É deslocada no tempo e no espaço e transformada, provisoriamente, em fundamento de uma recomposição contraditória da valorização.


O antivalor possui, por isso, um caráter profundamente ambivalente. Pode assumir a forma de fundos públicos destinados à reprodução social, ao financiamento de infraestruturas e à satisfação de necessidades coletivas. Sob a dominância financeira, entretanto, tende a ser apropriado como suporte da riqueza privada, instrumento de socialização das perdas e garantia estatal dos direitos dos credores.


A negação imanente do valor, portanto, não conduz necessariamente para além do capital. Capturada por suas formas institucionais e subordinada aos imperativos da valorização, ela pode converter-se em mediação de sua própria recomposição.

 

Com o capital fictício, o crédito antecipa valor ainda não produzido; a dívida pública mobiliza recursos sem correspondência imediata numa valorização produtiva; o gasto estatal preserva condições gerais de reprodução que o capital individual não pode assegurar; a emissão monetária, os resgates financeiros e as políticas dos bancos centrais impedem que crises de desvalorização destruam de uma só vez as massas de riqueza fictícia acumuladas.


Portanto, o capital fictício é a expressão mais acabada dessa dialética. Ele aparece como valor que se valoriza antes que a valorização efetiva tenha ocorrido; transforma uma expectativa de rendimento em patrimônio presente e converte o futuro numa fonte atual de riqueza abstrata.


Sob esse aspecto, é antivalor porque antecipa, duplica e multiplica direitos sobre uma massa de valor que ainda deverá ser produzida. Não se encontra fora do universo do valor, pois continua reivindicando juros, dividendos e rendas. Ao mesmo tempo, excede a riqueza efetivamente criada e adquire uma dinâmica própria nos mercados financeiros. Sua autonomia é fictícia, mas seus efeitos são reais.


A ficção não reside na inexistência dos títulos nem na irrealidade do poder que conferem. A ação, o bônus, a hipoteca e o título público são propriedades juridicamente válidas, possuem preço e podem ser convertidos em dinheiro.


O caráter fictício decorre da duplicação: de um lado, existe o capital empregado ou a dívida contraída; de outro, o título circula como se fosse ele próprio um capital adicional. A capitalização transforma rendimentos esperados numa grandeza patrimonial presente. Quanto mais baixas as taxas de juros e mais elevadas as expectativas de lucro, maior pode tornar-se o preço desses ativos, independentemente da criação imediata de valor na produção.


O presente é disciplinado pela necessidade de validar antecipações acumuladas no passado.


Empresas intensificam o trabalho para corresponder às projeções dos acionistas; governos comprimem gastos sociais para assegurar o serviço da dívida; a natureza é convertida em ativo financeiro mediante créditos de carbono, direitos de exploração e expectativas de renda; dados pessoais são capitalizados como fontes prováveis de receita. O capital fictício procura produzir, por coerção, o futuro que já contabilizou.


O fetichismo da mercadoria eleva-se a um hiperfetichismo financeiro. Já não são apenas as relações sociais entre produtores que aparecem como relações entre coisas; expectativas, riscos e probabilidades adquirem a objetividade de ativos e passam a comandar decisões presentes. A abstração deixa de ser somente uma forma de representação. Converte-se em força material, organizada por algoritmos, bolsas, agências de classificação, bancos centrais e gestores de carteiras.


Deste modo, os titãs do capital constituem a personificação social dessa estrutura. Eles são o que François Chesnais salientou como sendo fundos de investimento, fundos de pensão, companhias de seguros, fundos soberanos, bancos de investimento, fundos de cobertura e grandes gestoras de ativos que administram trilhões de dólares. Suas fortunas não derivam apenas da apropriação de lucros já realizados. Eles dependem da capitalização de expectativas futuras. Por exemplo, o valor de mercado de uma empresa tecnológica pode crescer vertiginosamente com base na promessa de dominar um setor que ainda está em formação; a riqueza de seu principal acionista aumenta antes que a produção correspondente se realize.


O trilionário da era do capitalismo quântico possui um patrimônio de natureza predominantemente financeira e, em grande medida, fictícia, constituído pela capitalização presente de rendimentos futuros esperados. Embora essa riqueza não corresponda imediatamente a uma massa equivalente de valor efetivamente produzido, os títulos que a representam são ativos reais para seu proprietário: podem ser negociados, oferecidos como garantia, convertidos em meios de aquisição de empresas e mobilizados para financiar projetos de alcance mundial ou exercer influência sobre governos.


Nessa conversão de direitos sobre a riqueza futura em poder econômico presente encontra-se o núcleo da dominação do capital financeiro, cuja forma privilegiada é o capital fictício. A oligarquia financeira constitui a personificação social desse poder: controla grandes massas de ativos, centraliza direitos de propriedade e subordina empresas, Estados e trabalhadores à lógica da valorização financeira. É por meio dela que a financeirização se afirma não apenas como expansão dos mercados financeiros, mas como princípio de comando sobre a reprodução social do capital.


Essa articulação entre grandes corporações, bancos, fundos de investimento, fundos de pensão, fundos soberanos, companhias de seguros e gestoras de ativos, ao administrar participações acionárias em milhares de empresas, podem exercer influência sobre amplos segmentos da economia sem assumir a figura clássica do proprietário industrial. A propriedade dispersa de milhões de poupadores é centralizada institucionalmente e reaparece como poder concentrado de comando.


O capital parece não ter proprietário definido, embora uma camada restrita de gestores determine os critérios de sua movimentação. É essa metamorfose que representa o capital ficiticio como antivalor.


O poder do capital financeiro decorre da centralização dos direitos patrimoniais e da capacidade de impor a lógica da liquidez e da rentabilidade financeira a toda a economia. A empresa produtiva passa a ser tratada como carteira de ativos; departamentos são vendidos, terceirizados ou encerrados conforme sua contribuição ao rendimento acionário; investimentos de longo prazo cedem lugar à valorização imediata; o emprego transforma-se em variável de ajuste.


Na próxima postagem, examinaremos o núcleo orgânico do capital financeiro a partir dos agentes e das instituições que Peter Phillips reúne sob a categoria de “classe capitalista transnacional”. Trata-se de uma rede formada por dirigentes de grandes corporações, bancos e gestoras de ativos que participa da administração da riqueza financeira mundial e exerce influência decisiva sobre sua distribuição entre países, empresas e setores econômicos.


Ao definir as prioridades de investimento, essa camada dirigente não atua apenas em nome de interesses particulares: seus membros compartilham o imperativo comum de preservar a rentabilidade, ampliar os espaços de valorização e assegurar a continuidade da ordem global do capital.


Em estudo referente ao período de 2022–2023, Phillips concentrou sua análise nos conselhos de administração de dez grandes gestoras que, em conjunto, administravam aproximadamente US$ 50 trilhões. Identificou nesse universo 117 dirigentes, denominados por ele “Titãs do Capital”. 


O número não deve ser interpretado como se esses indivíduos fossem proprietários de toda a riqueza administrada ou decidissem pessoalmente cada operação. Ele serve, antes, para revelar a extraordinária concentração institucional do poder de alocação, coordenação e supervisão exercido no interior do sistema financeiro global.


Os dados mais recentes confirmam e ampliam esse diagnóstico. Segundo o Thinking Ahead Institute, os ativos sob gestão das 500 maiores gestoras do mundo alcançaram US$ 139,9 trilhões ao final de 2024, crescimento de 9,4% em relação ao ano anterior. Somente as vinte maiores administravam US$ 65,8 trilhões, equivalentes a 47% do total das 500 empresas pesquisadas; quinze delas estavam sediadas nos Estados Unidos e concentravam 83,9% dos ativos pertencentes a esse grupo. BlackRock, Vanguard e Fidelity continuavam ocupando as três primeiras posições mundiais. O levantamento foi publicado pelo Thinking Ahead Institute em 2025.


As dez maiores gestoras — BlackRock, Vanguard, Fidelity, State Street, JPMorgan Chase, Goldman Sachs, UBS, Capital Group, Allianz e Amundi — administravam, juntas, aproximadamente US$ 49,65 trilhões no final de 2024. Sete delas estavam sediadas nos Estados Unidos. Apenas BlackRock e Vanguard reuniam mais de US$ 21,6 trilhões, enquanto a BlackRock, isoladamente, encerrava aquele ano com US$ 11,55 trilhões sob gestão. O dado mais recente disponível indica que a empresa alcançou cerca de US$ 14 trilhões ao final de 2025. 


É importante esclarecer que AUM — assets under management — designa o valor de mercado dos ativos administrados em nome de clientes. Não corresponde ao patrimônio próprio das gestoras, mas expressa a escala dos recursos sobre os quais elas exercem funções de administração, alocação, supervisão e, em diferentes graus, influência societária.

Essa concentração possui consequências que ultrapassam amplamente os mercados financeiros.


Os recursos administrados pelas grandes gestoras atravessam setores estratégicos como energia, armamentos, mineração, tecnologia, infraestrutura, indústria farmacêutica e agronegócio. Também alcançam atividades associadas a elevados custos sociais e ambientais — combustíveis fósseis, tabaco, álcool, plásticos, armas de fogo, jogos de azar e prisões privadas. As gestoras não determinam isoladamente guerras, políticas energéticas ou decisões governamentais; contudo, a orientação dos fluxos financeiros contribui para viabilizar materialmente essas atividades, favorecer determinados grupos empresariais e prolongar modelos de acumulação incompatíveis com as necessidades sociais e os limites ecológicos.


Ao lado desse poder de alocação, persiste uma contradição fundamental.


A oligarquia financeira precisa encontrar continuamente novas oportunidades capazes de absorver massas crescentes de capital e proporcionar rendimentos.


Dívidas públicas, ações, fundos indexados, crédito privado, imóveis, infraestrutura, derivativos e diferentes formas de capitalização de receitas futuras convertem-se, assim, em campos de valorização. A financeirização expande a apropriação privada sobre a riqueza ainda não produzida e transforma expectativas de rendimento futuro em ativos negociáveis no presente.


É nesse ponto que reencontramos o capital fictício como núcleo orgânico do capital financeiro. Os Titãs do Capital não são apenas administradores de enormes patrimônios: são personificações institucionais de um sistema que converte direitos sobre rendimentos futuros em poder econômico presente. Na próxima postagem, examinaremos como essa concentração da propriedade financeira permite que uma reduzida oligarquia condicione empresas e Estados, subordine necessidades sociais aos critérios da rentabilidade e exerça seu comando sobre a reprodução mundial do capital.

 

[continua]

 


 
 
 

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