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O que fazer com os "inúteis"?



Quem são os “inúteis” ?


São as pessoas redundantes para o capital, a camada social dos proletários e proletárias descartados pela concorrência; os "incapazes" de se adaptarem às novas tecnologias informacionais; os "precários" que vivem no limite do rendimento salarial executando tarefas taylorizadas; os desalentados que se cansaram de procurar emprego e não conseguem trabalho; os "mais velhos" sem qualificação, desempregado de longa duração; os adoecidos, inválidos à margem da sociedade, os aposentados idosos... É a "nova multidão" global do século XXI.


Os "inutéis" são irrelevantes (e invisíveis) como produtores e como consumidores. Eles são um "fardo" para o Estado capitalista. Para o neoliberalismo, eles são uma ofensa social. Como disse certa feita, o ex-presidente Michel Temer, "os pobres não cabem no orçamento público".


A maior parte deles foram tornados “inúteis” pela automação e robotização (ou Inteligência Artificial) do processo de trabalho. Os "inúteis" são as “pessoas sem valor” desvalorizadas pelo sistema do lucro. Tendo em vista o nível de desenvolvimento da produtividade do trabalho, tais pessoas “inúteis” não encontram mais uma inserção digna no interior do sistema produtor de mercadorias. Enfim, os “inúteis” são (como disse Mike Davis), a “humanidade excedente” do Planeta Favela.


No século XXI são a força de trabalho vivo redundante, precária e debilitada pelos adoecimentos físicos e mentais - made by sociedade neoliberal.


O capitalismo em sua etapa de autoreprodução destrutiva tornou-se uma “máquina de produzir “inúteis”.


A economia capitalista neoliberal desde 2008 e a pandemia do novo coronavírus de 2020 e a política de "Convivendo com a COVID-19" tem produzido um mundo de pessoas adoecidas (física e mentalmente). Vivemos na era dos adoecimentos - não apenas fisicos, mas mentais. O capital manipulatório produz “zumbis mentais”. "Normalizou-se" o excesso de óbitos na sociedade. Foi elevado para um patamar superior, o processo de destruição da capacidade produtiva de trabalho da superpopulação excedente.


A pandemia da covid-19 foi (e é) o evento histórico fundamental do século XXI.


Na perspectiva do sociometabolismo do capital, a pandemia tornou-se o marco histórico deste século. Conviver com a Covid-19 tornou-se funcional para o capital - e não apens porque dá bastante lucro às Big Pharma. Diferentemente, por exemplo, da longa depressão da economia capitalista (a partir de 2008); e da guerra na Ucrânia entre Rússia e EUA-OTAN iniciada em 2022. A pandemia da covid-19 e o surgimento de novos patógenos, faz o trabalho silenciosa da nova eugenia social. Ela opera a “lei de utilização decrescente”, uma das determinações cruciais que estão na raiz dos desenvolvimentos capitalistas modernos - como nos diz István Meszáros.

Esta lei dinâmica do capital (a taxa decrescente de uso) é em última instância, “devastadora”, pois produz um mundo de pessoas “inúteis” para o capital. Podemos dizer que o processo de produção destrutiva do trabalho vivo tornou-se tão necessário para o capital, quanto a exploração e a superexploração da força de trabalho.


O capital global é destrutivo - por natureza (literalmente).


A auto-reprodução destrutiva da força de trabalho é necessária para o capital na medida em que produção e reprodução social são problemas interligados. Para além da produção e da “destruição criativa” que caracterizou o capital em sua etapa de ascensão histórica (Schumpeter), o movimento do capital em sua etapa de crise estrutural, é o movimento da “produção destrutiva” da sociedade humana (objetividade e subjetividade da classe do trabalho vivo).


Existe uma mudança qualitativamente nova no sistema global do capital por conta do salto tecnológico ocorrido desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A Terceira Revolução Técnico-cientifica tornou obsoleto, em termos relativos, o trabalho vivo face à exuberante composição orgânica do capital intensiva em trabalho morto. Por conta disso, “sobra mais gente” nas sociedades capitalistas na medida em que o sistema do Lucro é movido pela valorização do valor sob o chicote da concorrência e do aumento alucinante da produtividade do trabalho.


A exacerbação das contradições internas do sistema de produção de mercadorias, fez com que o capital efetuasse – desde a década de 1970 - o deslocamento de suas contradições internas, reestruturando-se e reorganizando-se em termos globais. Surgiu a globalização neoliberal.

A expansão do mercado mundial e a desmedida (e a suprassunção) do valor, expõem uma mensagem trágica: os humanos tornaram-se obsoletos. As sociedades de mercado organizadas pela lógica da valorização do valor na etapa da crise estrutural do capital, são “sociedades pós-humanas.


O crescimento da produção capitalista e o desenvolvimento da acumulação do capital, não tem significado crescimento do emprego ou melhoria da qualidade de vida das pessoas. Aumentar o PIB e cresce a taxa de acumulação - e inclusive a taxa de lucro em termo relativos - mas a situação da classe trabalhadora e da sociedade humana nos paises capitalistas, tem se degradado de forma cumulativa.


As possibilidades de crescimento do capitalismo implicam cada vez mais acumulação de capital sem o crescimento dos empregos. O aumento da produtividade do trabalho por meio da mecanização, automação e robotização, isto é, da produção da mais-valia relativa - tem significado mais produção com menos empregos.


É pois isso que o crescimento dos trabalhos precários improdutivos (para o capital) tem sido exuberantes nos países capitalistas.


O desenvolvimento da Inteligência Artificial ou dos algoritmos, alavancaram o poder do capital em propiciar a automatização e robotização dos processos de trabalho. O desemprego estrutural de fundo tecnológico se manifesta, por exemplo, pela (1) ampliação da economia do trabalho precário [Gig economy]; e (2) pelo aumento dos empregos de baixa qualidade [Bad Jobs]. Isso não aparece nos dados do Índice do desemprego ostentados pelos governos capitalistas.


Trabalhos precários e empregos "indecentes" são a expressão candente da senilidade do capitalismo tecnológico - o capitalismo do “salto mortal” da produtividade do trabalho.


O limite absoluto do capital é o próprio capital.


A alta composição orgânica do capital limitou a sua capacidade de recompor-se efetivamente, mesmo com o aumento da taxa de exploração (a superexploração do trabalho) e a desvalorização do capital constante (incluindo a ofensiva do novo imperialismo por matérias-primas ou fontes de energia). Como resultado, o alargamento do desemprego da periferia para o centro do sistema capitalista, foi oculto pela expansão da Gig economy e dos Bad jobs. É aquilo que Adrián Sotelo Valencia destaca como sendo a "superexploração do trabalho", caracteristica fulcral do capitalismo do século XXI.


Em trinta anos de capitalismo global (1991-2021), tivemos o aumento da desigualdade social, da precarização do trabalho e por outro lado - a concentração da riqueza. Por um lado, uma multidão imensa de "inúteis" precários, precários e doentes; e por outro lado, um punhado de super-ricos.


A política de "Conviver com a Covid-19" (by Joe Biden), é uma sutil politica de controle populacional ou uma nova eugenia social. É disso que se trata, embora a massa manipulada (o povo sofrido e a classe média hedonista) não tenham consciência disso.


Mas isto não é novidade pois o imperialismo dos EUA, incentivou há tempos na América Latina e África, políticas de controle populacional.


Por exemplo, a preocupação com a “bomba demográfica” foi uma constante do pensamento estratégico do poder imperialista dos EUA. Em 1968, Paul R. Ehrlich fez uma previsão catastrófica. Disse ele que o mundo tinha pessoas demais, e milhões morreriam de fome, se não houvesse um controle do aumento populacional. A teoria era parte do livro Population bomb (Bomba populacional), que se tornou um dos mais vendidos da época e reabriu uma discussão antiga (a do economista inglês Thomas Malthus) sobre a sustentabilidade da vida de bilhões de pessoas no planeta.


A ideologia da “bomba demográfica” foi na época, bastante funcional à estratégia de controle imperialista.


Em “Preparando para o século XXI” (1993), Paul Kennedy intitulou o capítulo 2 de seu livro, “A explosão demográfica”. Enfim, o espectro de Malthus estava presente mais do que nunca, no capitalismo do pós-Segunda Guerra Mundial.


A partir da década de 2000, a tese da “segunda transição demográfica” nos alertou para o envelhecimento populacional. Assim, ao lado da preocupação com a “bomba demográfica” (a população humana continua crescendo, mas numa velocidade menor), colocou-se no horizonte ideológico dos estrategistas globais do capital, a “explosão” do envelhecimento populacional e da nova dinâmica demográfica (incluindo China e Índia).


De certo modo, o problema ideológico se deslocou da “explosão populacional” para o “controle do envelhecimento”. Isto é, o que fazer com a massa do trabalho vivo “mais velho” e idosa improdutiva para o capital ? Isto é, um "fardo" para os sistemas de previdência social pública e para os sistemas públicos de saúde.


Num cenário de economias capitalistas com baixo crescimento do PIB e taxas de lucro sob pressão da composição orgânica do capital, como financiar o bem-estar para um mundo de "inúteis" ?


Desde a década de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem difundido a ideologia do “envelhecimento ativo”, isto é, a idéia dos “velhos produtivos”. As pessoas acima de 65 anos que, ao invés de aposentarem, devem prolongam a vida ativa (as Reformas da Previdência no mundo capitalista, elevam cada vez mais, a idade mínima para aposentar-se).


O capital preocupa-se em evitar o "desequilíbrio orçamentário" dos Estados que ameace os compromissos com o pagamento da dívida pública (os interesses do capital financeiro).


Ironicamente, no ano de início da pandemia da covid-19, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período de 2021 a 2030 como “Década do Envelhecimento Saudável”.


Em 28 de janeiro de 2023, a The Economist colocou como matéria de capa a reportagem “A era dos avôs chegou”, tendo em vista que a proporção de avós para filhos é maior do que nunca. Ao mesmo tempo, tudo isso é uma trágica ironia tendo em vista que uma das maiores vítimas da covid-19, depois dos “pobres” são as pessoas idosas vulneráveis à contaminação pelo Sars-Cov-2.


Os mais fracos não tem vez.


O que se coloca efetivamente para as sociedades capitalistas é o que fazer com aqueles que, por conta da situação de classe, se tornaram velhos, pobres e doentes, pressionando os sistemas públicos de Previdência Social e Saúde. A “eugenia social” operada pela estratégia do capitalismo em lidar com a covid-19, é ocultada pelo discurso ideológico das burocracias transnacionais e da mídia dominante.


A pandemia da covid-19 (e sua “normalização” a partir de 2022 com a política “Convivendo com a Covid-19), tornou-se - na verdade - uma “arma biológica” a serviço da “higiene social” do capital.


Não se trata de conspiração capitalista, mas uma estratégia política de administrar a ordem burguesa. Simples, assim. De preferencia, com governos de atitudes politicamente correta.


Apesar da vacinação, desmontou-se protocolos sanitários, e assim, tem aumentado a contaminação pelo Sars-Cov 2. Um aviso: as novas subvariantes da Ômicron não possuem a letalidade das primeiras cepas. Mas por conta da evasão imunológica, conviver com a Covid-19 ela tem sido um risco extremo para as pessoas mais velhas e idosas vulneráveis.


Mata-se silenciosamente - e normalmente.


A nova política de “conviver com a covid-19” tem um alto custo social para os pobres, velhos e doentes. A "era dos adoecimentos" tornou-se um campo de oportunidade para o Sistema do Lucro reestruturar-se, visando impulsionar um "grande reset" da ordem do capital global - livre dos "inúteis".


A eliminação gradual e silenciosa das populações pobres, envelhecidas, idosas e frágeis tornou-se o grande trunfo para a reordenação do sistema do capital no século XXI. O descontrole da nova fase da pandemia e os novos patógenos que ameaçam a população com sistema imunológico enfraquecido, devem contribuir para o excessos de óbitos verificado - com naturalidade - nos paises capitalistas.


Sim, o problema de superpopulação está no centro do capitalismo.


P.S. O ChatGPT chegou...mas isso é tema para um outro post



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